A Culpa é de Quem?

Amigos, estou vendo um montão de pessoas colocando uma pesquisa do IPEA sobre o machismo no Brasil e campanhas na rede acompanhadas de frases como: “a culpa não é da mulher”… e “eu uso a roupa que eu quiser” ou “roupa não causa estupro”. 
Pessoal, entendam: realmente, a culpa não é da mulher. A culpa é DO PECADO

O problema é que o pecado está em ambos. Penso que procurar CULPA é diferente de procurar CAUSA… culpa tem a ver com quem deve ser punido por um ato indevido, causa tem a ver com o que, de alguma forma, originou o ato. Por exemplo: uma provocação no transito pode resultar em agressão. O agressor é o culpado por ela, mas um outro cara em outro carro dando fechadas e aferindo a outro motorista palavrões podem ser a origem de uma agressão que, por N fatores não ocorreriam se o motorista número não tivesse reagido. 

Então você está dizendo que a culpa é da mulher? Não. Leia de novo. Estou dizendo que a culpa não é da mulher. A culpa é do pecado. O pecado que está em um e em outro.
E o argumento é que também existem estupros onde os códigos de vestimenta são extremamente mais rígidos que os nossos, portanto isso prova que a culpa não é da mulher… Repito mais uma vez: a culpa é do pecado. Existem tarados para tudo, mas, gostaria de pensar junto com você, e meu enfoque principal são os cristãos que estão lendo. Você que não quer pensar biblicamente não tem a MENOR obrigação de concordar comigo.
(e desculpe, ficou meio longo… de novo… se quiser pular a argumentação e ir pra bíblia, pule para o quarto ponto logo!)

1. Existe um código moral invisível

Existe em toda sociedade um código moral invisível, e na maioria das vezes não verbalizado que orienta a comunidade. É este código invisível que faz com que uma pessoa vá a um supermercado à beira da praia de sunga e sem camisa sem ser necessariamente censurado, mas com que seja totalmente proibido de se fazer em um mercado qualquer em São Paulo, São José dos Campos ou outra cidade do interior. Pode até não haver uma placa dizendo isto, mas é um tanto óbvio que é absurdo ir vestido assim ao Extra perto de sua casa… existe um código moral invisível, e muitas vezes não verbalizado. Até mesmo numa comunidade ao estilo indígena ou até mesmo naturista prezam por um código daquilo que lhes é decente ou indecente. Daquilo que é normal ou provocativo e apelativo para aquilo que seria chamado de “sexual” ou sensual.

2. Existe uma intenção

Estes dias ouvi um garoto de uns 8 anos elogiar a roupa de uma mulher e dizer algo como “puxa, como você está sexy!”. Com certeza aquele garoto não tinha ideia que a expressão sexy está altamente vinculada ao apelo sexual causado por uma pessoa. 

Muitas mulheres se vestem não para ficarem bonitas, mas exatamente para ter um “apelo sexual” em sua maneira de vestir. Elas querem se sentir sexies, e muitas vezes se referem assim mesmo que não queiram dizer abertamente “estou sexualmente disponível”. Algumas vezes só querem se sentir desejadas. O problema da moda e do padrão é exatamente este: eles pregam que a mulher precisa ser e se sentir desejada. Assim como um programa de reformulação de guarda-roupas que repete várias vezes frases como “sinta-se sexy, seja sexy“.
Então isso quer dizer que a mulher precisa se mostrar o mais asquerosa o possível para não provocar estupros? Quer dizer que vamos adotar a burca como roupa oficial?!
Calma! Você tira conclusões rápido mesmo. O que estou dizendo, é que, sim, existe uma intenção na roupa – assim como o nervosinho do transito gritando e buzinando enquanto corta outros tem a intenção de chegar rápido a seu destino ou demonstrar sua insatisfação com outros motoristas.

3. A Culpa então é da mulher?!

Não. A culpa continua do estuprador – e tem gente com tara por tudo… tara por pé, por orelha, por mulher, por homem… e a verdade é que a culpa continua sendo do estuprador. “Eu não mereço ser estuprada” é a placa que várias meninas com roupas mínimas estão colocando no Facebok… e a verdade é que não, não merece ser estuprada, ninguém merece ser, mas ainda assim estupros acontecem.
Por outro lado, será existem maneiras de se diminuir a probabilidade estatística de se ser estuprada? Da mesma forma que todos tem o direito e expectativa de não ser assaltado na rua ao carregar 3 mil reais, não quer dizer que eu DEVA andar mostrando e contando em voz alta minhas notas de R$50 por onde eu quiser… a oportunidade não faz o ladrão. A oportunidade só mostra o ladrão. Andar discretamente com um valor alto não me isenta da possibilidade de ser assaltado, mas diminui estatisticamente a probabilidade disto acontecer.

4. Como a Bíblia aborda isto?

Incrivelmente a Bíblia aborda o assunto da maneira com que nos portamos e nos vestimos. Em tudo precisamos nos portar de maneira exemplar perante o mundo (1 Pedro 2.12).
Uma das coisas que precisam ser entendidas é que, a Bíblia coloca uma responsabilidade para as mulheres e também homens no que diz respeito à emoções que queremos provocar em outros; Dê uma olhada em 1 Tessalonicenses 4.3-8:

“A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual.
Cada um saiba controlar o próprio corpo de maneira santa e honrosa,
não com a paixão de desejo desenfreado, como os pagãos que desconhecem a Deus.
Neste assunto, ninguém prejudique a seu irmão nem dele se aproveite. O Senhor castigará todas essas práticas, como já lhes dissemos e asseguramos.
Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade.
Portanto, aquele que rejeita estas coisas não está rejeitando o homem, mas a Deus, que lhes dá o seu Espírito Santo.”
Quando ali é dito “nem dele se aproveite” a palavra usada tem a ideia de “defraudar alguém”, uma ideia de “provocar um sentimento em alguém e não estar disposto a suprir”… isso é muito sério. O que basicamente Paulo está falando é que nenhum cristão deveria (e aqui ele está falando na área sexual) propositalmente provocar outra pessoa com algo que ele não pode ou não queira suprir.. e isto não se aplica somente à roupas, mas também à conversas, “cantadas”, ações, etc.
Porque comecei a escrever este texto gigantesco? Me assusta a quantidade de pessoas cristãs que estão simplesmente andando no argumento de “eu tenho o DIREITO de me vestir como eu quiser e não ser estuprada” elas não estão dizendo sobre algo como “quero que haja melhor segurança nas cidades” ou “quero um policiamento mais eficiente pela cidade”, elas estão declarando abertamente “quero me vestir com (ou seu) a roupa que for e não ser estuprada”. Em outras palavras: “quero me vestir e me sentir sexy, me sentir desejada, ser desejada e não ser atacada por um louco qualquer”.
No fim das contas, pessoas cristãs estão defendendo o argumento de “quero só provocar o sentimento, mas não quero suprir” – ou seja, descaradamente estão indo contra a orientação bíblica para apoiar o pensamento humanista que nos cerca.
Qual a conclusão deste argumento enorme? Mulher cristã, você não deveria se vestir com o mesmo pensamento do mundo – para provocar um sentimento de desejo, ou se sentir desejada. 
Então a mulher deve se vestir para ficar feia e nojenta? Não, não é isto… simplesmente a maneira deve ser com decência, discrição… não deve valorizar mais adereços e ouro, do que valoriza uma vida cristã saudável… simples assim.
A culpa do estupro não é da mulher, é do estuprador. Mas pela mesma razão que você não sai do banco com seus 3mil reais contando em voz alta porque alguém ali pode ser um ladrão sendo atiçado por aquele dinheiro, mulher cristã, não saia pela rua exibindo seus “valores físicos”… pode ser que ali onde você passa haja um estuprador à espreita.

Se você ainda não cansou de ler, veja estes dois artigos seculares falando sobre o pensamento em cima deste tema:
A CULPA NÃO É DA MULHER, MAS…
ESTUPRO? MACHISMO? CULPA? …

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