Dinheiro, a raíz de todos os males?

Estes dias tem sido curioso perceber as movimentações políticas – sejam pró ou contra Dilma, pró ou contra PT, pró ou contra ser “pró”, pró ou contra ser “contra”. Não vou me atrever a tentar fazer uma análise política aqui (tem tantos jornalistas fazendo isto tão bem!), mas é curioso notar algo: A MANEIRA como classes são retratadas.

Interessante porque uma vez um amigo (que é americano) me colocou com muita cautela e receio – ele me colocou algo como o que vem a seguir:

“Tenho a impressão que no Brasil ser rico é errado. Por que isso acontece?”

Respondi: Como assim? Ele seguiu:

“Parece que quando alguém tem dinheiro, a primeira reação que outros em volta tem é ‘ele deve ter roubado de alguém’, ou ‘deve ter tomado vantagem sobre alguém’. Nos Estados Unidos, quando se vê alguém com dinheiro, a primeira coisa que se pensa é ‘quero trabalhar como ele’. Aqui, tenho a impressão, é como se houvesse uma raiva, e não admiração. Mais um tipo de inveja do que alguém para imitar.”

Camara_deputadosNo final, tive que concordar. A impressão (e impressão, ok?) é que somos algo como “Um país capitalista com trauma exploratório com ambições socialistas.” Queremos mais igualdade, mas queremos ter mais. Queremos dividir a renda…. dos outros com a gente. Estamos prontos a defender nossos direitos, desde que sejam nossos e não tenhamos que dividir o que já conseguimos. Temos uma geração de partido “socialista” que vota em aumento do próprio salário antes de votar no dos trabalhadores. Queremos manter benefícios – desde que não sacrifique os meus.

POR OUTRO LADO, a pessoa por ter dinheiro não pode protestar contra um governo que está roubando (ou sendo roubado) e é assistencialista (não estou reclamando que ele assista, mas que crie um padrão de ajuda-permanente sem mudar a condição).

babaVi uma reportagem de um jornal recriminando uma família porque foram com a babá no protesto… como se isto fosse parâmetro para dizer intenções políticas de uma família. Não diz. A impressão é que a pessoa deveria ter vergonha se tem dinheiro para ter uma babá, e não necessariamente deveria ter.

Por outro lado, ser pobre virou um Super Trunfo, que potenciamente legitima (se você é a favor do governo) ou lhe torna um imbecil (se você é contra)… como se a condição social tivesse algum poder aferidor de honestidade ou inteligêncoa. E não tem.

mortadelaA foto de um mendigo (provavelmente bêbado) deitado em meio a protestantes verde e amarelo para um lado é comprovação de indiferença social – mas a foto revela um momento, não uma história. A foto de pão com mortadela distribuídos a protestantes em vermelho é evidência que só foram pela comida (porque jamais quer dizer que protestantes também precisam comer e ninguém pode gostar da Dilma). Não concordar virou burrice, racismo, xenofobia, homofobia, “ricofobia”…

Vendo este embate social, não consigo deixar de lembrar o que Jesus fala sobre o Dinheiro – e o que tenho visto é que até mesmo cristãos dizem “O dinheiro é a raiz de todos os males“, quando o que Jesus censura é o “AMOR ao dinheiro” como raiz de todos os males. A ganância. O sentimento contínuo de falta. Na época de Jesus, alguém rico era visto como ABENÇOADO POR DEUS, e por isso, visto como alguém mais próximo de Deus. Mais chegado. Por isso, quando Jesus diz “Dificilmente um rico entrará no Reino dos céus.” (Mateus 19:23) os discípulos reagem como “EITA! Se um rico que é “próximo de Deus” não vai entrar, imagina então os pobres!”

Ser rico não é pecado. Mas, ser minoria social/racial/sexual não te dá mais razão.

Ter doutorado não é sinal de sabedoria. Ser analfabeto não é sinal de incapacidade mental.

OK. Por que estou falando tudo isso?

Se você é cristão e está lendo isto, entenda: não deveria em você ser um filtro maior a condição social, étnica, geográfica do que a maneira que Deus enxerga as pessoas. Equívocos políticos acontecem. A meu ver, a situação atual da nação deveria ser defendida por estar correta no que está, mas deveria ser julgada como errada por onde está errado – independente se gosto ou não do governo, você deveria defender a justiça. Os líderes deveriam ser exemplo também, e primeiramente na maneira em que são julgados e pagam por seus erros – independente se “roubam mas fazem”.

NÃO PERCA O FOCO!!!

Que seu protesto, como cristão, comece em sua casa. Ensinando os seus a respeitarem mesmo quando discordam. Mostrando que reconhecimento dos erros também deve existir mesmo que você seja o líder.

Que seu joelho dobre muito mais que suas panelas batem. Que sua defesa de justiça esteja acima da defesa do partido. Que seu amor por esta nação (seja como está ou como você sonha que ela irá ficar) não seja maior que seu amor por sua pátria celestial.

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